quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A ARCA DA ALIANÇA


TABERNÁCULO e sua Simbologia


TABERNÁCULO significa: morada, habitação ou casa. Conforme Hebreus 8:5, fala-nos de figuras e das sombras das coisas celestiais. Foi dito por Deus a Moisés (Ex. 25:8) que construísse um santuário, sendo-lhe revelado inclusive seu modelo no monte Sinai (Ex. 24:18).

Era um Templo portátil e montavam-no todas as vezes que os hebreus faziam acampamento. Tudo foi feito como o Senhor Deus ordenara a Moisés (Ex. 39 e 40). Seus construtores, Bezaleel e Aoleabe o fizeram em detalhes, minuciosamente - Ex. 31:1-6.

O Tabernáculo seria algo que homem algum jamais teria imaginado. Foi construído para que as verdades fundamentais no Novo Testamento fossem compreendidas. Cada detalhe e objeto falava da obra redentora de Jesus Cristo.


Nota: Para efeito de melhor entendimento, vamos considerar que o CÔVADO (medida usada na época) seja igual a 50cm. Na verdade, um côvado seria a medida que iria do cotovelo à ponta dos dedos de um homem, sendo admitido que valha algo em torno de 43cm ou 45cm ou ainda 50cm.


ÁTRIO ou PÁTIO
A tenda e seus objetos apontam para Cristo. Olhando de longe, vê-se um cercado em forma de retângulo demarcado por uma cortina (50 x 25m) de linho branco (pureza e santidade), com 2,5m de altura, sustentado por 60 firmes colunas, apoiadas em base de cobre (Ex. 27:9 e 12). Por cima da cerca ainda se pode ver o teto da tenda, que está do lado de dentro deste cercado. Não havia exteriormente beleza alguma.


"Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Isaías 53:2-3)".
Dentro desse cercado de linho branco, chamado de Átrio ou Pátio (media 50m de cumprimento por 25m de largura), podia-se ver em sua primeira metade o Altar de Holocausto; mais à frente a Pia de Bronze cheia de água.

Na segunda metade desse Pátio ficava uma espécie de casa que seria exatamente a tenda.

A PORTA

Todas as vezes que era armado, sua única porta (10m x 2,5m) ficava para o nascente. As 12 tribos faziam acampamento ao redor do Tabernáculo, formando grupos de 03 tribos à frente, 03 do lado direito, 03 do lado esquerdo e 03 na retaguarda.


O Tabernáculo ficava sempre no meio do acampamento, indicando que Deus deseja estar no centro do nossas vidas. "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. - João 14:6. "Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria." - Malaq. 4:2.


Uma cortina muito bonita, também chamado de "reposteiro" nas cores púrpura, carmesim, estofo azul e fundo branco, davam as boas vindas para os judeus ao adentrarem no átrio.

Estas cores falam da santidade, realeza, servidão e divindade de Jesus Cristo. Jesus Cristo é a única porta para se chegar a Deus. Disse Jesus em João 10:9: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo"
Outras referências: Ex. 27:9-19, 38:9-20, Hb 10:19-22, Ef. 2:11-13, Sl. 65-4, 96:8, Lv. 9:1-6, 6:9.



A TENDA

Era o Tabernáculo propriamente dito. Composto de dez cortinas e dez cobertas, sustentadas por uma armação de tábuas de setim (acácia) recobertas de ouro. Eram todas iguais no comprimento e largura.


Montada, a tenda formava um retângulo 15m de comprimento, 5m de largura e 5m de altura. Em sua entrada encontrava-se um novo reposteiro (cortina) com as mesmas cores do reposteiro da entrada do átrio: púrpura, carmesim, azul e branco.


Este, igualmente à porta do átrio, media 10m de comprimento. Esta porta dava acesso ao primeiro compartimento da tenda que se chamava "santo".

Você está na porta da tenda, já passou pelo altar do holocausto, pela pia de bronze com a água, agora está diante de toda a riqueza do tabernáculo.


Observe à sua esquerda e veja o candelabro (candeeiro) todo de ouro e à sua direita a mesa com os pães da propiciação. À frente, próxima à cortina (véu) que dividia o Santo do Santíssimo (Santo dos Santos), podia-se localizar o Altar de Incenso.

Após a Cortina (véu), ficava o Santo dos Santos. O único imobiliário do Santíssimo era a Arca da Aliança e seu Propiciatório (tampa), que estava justamente no santíssimo, cujas medidas formava um cubo perfeito (5x5x5m).


A Nova Jerusalém tem a mesma característica. Compare com Ap. 21:16 - "A cidade era quadrangular; e o seu comprimento era igual à sua largura. E mediu a cidade com a cana e tinha ela doze mil estádios; e o seu cumprimento, largura e altura eram iguais." Observe a seqüência dos mobiliários procurando visualizar tudo de uma só vez, desde o Altar até a Arca.


Não lhe lembra algo muito familiar? Não formaria uma cruz esses objetos? "os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais" - Hebreus 8:5


MATERIAL.

Todo material usado no Tabernáculo constituem símbolos que merecem destaque.
Madeira de lei, chamada de setim ou acácia foi a usada para a construção. A Madeira simboliza a humanidade de Jesus.

Todas as tábuas do tabernáculo e seus móveis eram feitos com essa madeira, exceto a pia (cobre) e o castiçal que era de ouro maciço.

A árvore que dava esta madeira crescia no deserto e faz-nos pensar na humanidade do Senhor Jesus como diz o profeta Isaías: "raiz duma terra seca" (Is 53:2).
Linho O Linho Branco fala-nos da pureza e santidade de Jesus, homem perfeito.

Cobre:

Era usado para revestir as colunas do pátio, suas bases e o altar para holocausto. A pia (ou lavatório) e os cravos (pregos) eram de cobre maciço. Este metal nos fala do juízo e julgamento do pecado.

Prata:

Este metal foi usado para confeccionar os ganchos de sustentação das cortinas e nos capitéis que as ornamentavam e as bases das tábuas. Simboliza o resgate, redenção pelo sangue de Jesus.

Ouro:

Metal mais precioso empregado no Tabernáculo. Foi usado para recobrir a mesa dos pães, o altar do incenso, a Arca, e as cinco colunas que sustentavam o cortinado da entrada. De ouro maciço era o Candelabro, o Propiciatório (tampa da arca) e os dois querubins. Simboliza a glória de Deus, sua realeza e divindade de Cristo.


AS CORES:

Nos dois reposteiros (cortinas) do átrio e da tenda, aparecem as mesmas cores: púrpura, carmesim, branco e azul. Todas essas cores apontam para Jesus e são descritas nos quatro evangelhos.

Púrpura:

Cor da realeza. O evangelho de Mateus cita Jesus como o "Filho de Davi", enfatizando que Jesus é o nosso Rei. Todo soberano deve provar sua descendência real, e isto é feito em sua genealogia.

Carmesim:

Cor de sangue e aponta para Jesus como "servo sofredor". Marcos destaca esta condição em seu evangelho. Aqui não há genealogia, o destaque é para o "servo".

Branco:

Lembra a pureza e a santidade de Cristo, salientado por Lucas. Este é o evangelho do Filho do Homem. Jesus é mostrado como o "homem perfeito", e seu caráter justo.
Apresenta a genealogia do homem ilustre e nobre.

Azul:

Aponta para o Céu, de onde veio e para onde retornou o Senhor Jesus Cristo.Simboliza sua "divindade" e está presente no livro de João. A genealogia não é apresentada, pois Deus não tem ascendência. Ele existe para sempre.

O MOBILIÁRIO
Ao todo eram seis peças muito valiosas e belas. Tudo foi feito em detalhes, conforme Deus havia determinado. No átrio existiam duas peças: o altar de holocausto e a pia (lavatório).
Lá dentro da tenda, no "santo", podia se ver o candelabro, a mesa dos pães e o altar de incenso. No "santíssimo" existia um único móvel: a Arca da Aliança com seu propiciatório (tampa).

Os móveis do Átrio
O Altar do Holocausto (Êx. 38:1-7)
Símbolo da cruz de Cristo. Era a primeira e maior peça do tabernáculo, medindo 2,5m de comprimento, 2,5m de largura (era quadrado) e 1,5m de altura e ficava logo à entrada da porta.
Foi feito com madeira de setim e recoberto com cobre. Lembra-nos da cruz de Cristo de e juízo de Deus. Nesse altar eram sacrificados os animais que simbolizavam o sacrifício de Cristo.
Observe que o altar do holocausto é a peça que está logo à porta do átrio. Estava ali como sendo a primeira oportunidade para quem quisesse adentrar às profundezas de Deus, no entanto quem assim o fizesse teria que primeiro aceitar o sacrifício. Os animais oferecidos em sacrifício simbolizavam Jesus Cristo mas só aliviavam a culpa. Jesus porém remove todos os pecados através de seu sangue.

Lavatório (Pia) (Êx. 30:18-21)
Após o altar do holocausto e antes da tenda estava a pia de cobre maciço. Servia para que os sacerdotes se lavassem após os trabalhos de sacrifício no altar e antes de entrar no santuário.
Da mesma forma torna-se necessário que sempre estejamos nos lavando nessa "pia"(reformulando nossas ações) para podermos entrar na presença do Senhor.
A pia também é um símbolo de Cristo, pois é através de seu sangue, que nos purificamos de todo o pecado. Jesus também é a água viva que sacia nossa sede (Jo. 13:8). A água que estava contida na pia também representa a Palavra de Deus, que é capaz de santificar-nos e purificar os nossos caminhos (Sl.119:9 e Jo 17:19).
Os Móveis do Lugar Santo
Logo após abrir-se as cortinas da tenda, o sacerdote encontrava à sua esquerda o Candelabro, à sua direita a mesa dos pães da propiciação, e lá à frente, bem junto ao véu que dividia o santo do santíssimo, o altar do incenso.

Candelabro (Êx. 37:17:23)
Também chamado de candeeiro ou castiçal. Totalmente confeccionada em ouro pesando 30 Kg, que com suas sete lâmpadas iluminava todo aquele lugar. Simboliza Cristo como a "luz do mudo" e também nos lembra Cristo como a "videira verdadeira".
O ouro aponta para sua glória e divindade. A luz que emanava do castiçal iluminava a mesa dos pães da propiciação e o altar de incenso, que também simbolizam Cristo. Nesta função de iluminar (fonte de luz), o castiçalsimboliza o Espírito Santo, pois glorifica o Cristo simbolizado na mesa dos pães e no altar de incenso.

A Mesa dos Pães (Êx. 37:10-16)
Confeccionada em madeira de acácia (setim) e revestida de ouro. Estes materiais nos lembram para a dupla natureza de Cristo: humana e divina.
Estavam postos continuamente sobre a mesa 12 pães da propiciação (ou da presença). Simbolizando Jesus, "o Pão Vivo que desceu do Céu".
Media 90cm de comprimento, 45cm de largura e 68 cm de altura.
Os doze pães representam as tribos de Israel. Todos os sábadosos pães eram consagrados e repostos. Indicavam que a consagração do ser humano ao servir o Senhor não pode parar. Os pães que eram retirados podiam ser comidos pelos sacerdotes.


Altar do Incenso (Êx. 30:1-8)
Altar do Incenso ou Altar de Ouro, também construído em madeira de setim e revestido de ouro. Sua função era, como o moem já sugere, queimar incenso ao Senhor,representando nossas orações e louvor.
É um símbolo de Cristo quando mostra que nossa adoração só terá valor perante Deus, se for através de Cristo.
As brasas que ardiam neste altar (símbolo do Espírito Santo) eram trazidas do primeiro altar, lá da entrada do átrio (Altar do holocausto).
Não se podia atear fogo diretamente no altar do incenso.
O Móvel do Santíssimo (Êx. 25:10-22)
No Santíssimo só havia um móvel: a Arca da Aliança, medindo 1,25m de comprimento, 75cm de largura e altura.
Entende-se como apenas uma peça, pois o propiciatório (tampa) era parte integrante da arca.
A arca era uma caixa construída com madeira de acácia, revestida de ouro. Sua tampa, o propiciatório, era totalmente de ouro e estava encimado por dois querubins que tinham suas frontes voltadas para baixo (como se estivessem olhando para o fundo da caixa).
Suas asas estavam abertas e tocavam-se, como que se estivessem dando as mãos. Dentro da arca estava contida as Tábuas da Lei recebidas por Moisés no Monte Sinai, um vaso contendo o maná fornecido aos israelitas no deserto e o cajado de Arão que havia florescido.
Isso representava para aquele povo a presença de Deus, que guiava-os, protegia-os e dava-lhes vitória.
Simbolizava Cristo como o "pão da vida" e nosso Sumo Sacerdote perfeito, que guardou a Lei em seu coração.
Somente o sumo sacerdote podia entrar no Santíssimo uma vez ao ano. Ele levava o sangue do sacrifício para aspergir o Propiciatório.
Esta era a parte final daquele ritual sacerdotal que servia para restaurar a comunhão do homem com Deus. Jesus, o nosso Sumo Sacerdote perfeito, ofereceu-se em completo sacrifício expiatório por nós. Entrou no santuário celestial levando seu próprio sangue.


A COBERTURA DA TENDA (Êx 26)
Era constituída em quatro coberturas distintas como segue: A primeira coberta, que podia ser vista somente de dentro da tenda, era constituída de QUATRO CORES COM DESENHOS DE QUERUBINS. Muito bela, combinava com as paredes revestidas de ouro.
O interior da tenda era lindo! Assim também deve ser nosso interior, tenda do Espírito Santo.
Por cima desta estava a segunda cortina, que era feita de PELOS DE CABRA, também chamada de "a tenda sobre o tabernáculo" (Êx 26:14).
A terceira cortina de baixo para cima era a de PELES DE CARNEIROS TINTAS DE VERMELHO.
Por fim vinha a quarta cobertura, a de PELES DE TEXUGO (animal marinho). Medindo 2,5 Metros de altura, a cerca (de linho branco) impedia a quem estivesse de fora do átrio pudesse ver o que havia do lado de dentro do pátio.
Era algo rústico e sem beleza ou atrativo algum. "Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Isaías 53:2-3)".
Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística, Taróloga, Cabalista, Professora, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-mail:
arcanjo.azul@hotmail.com

domingo, 12 de julho de 2009

V.I.T.R.I.O.L. No ritual da Iniciação maçônica



No ritual da Iniciação maçônica, templária, rosacruz ou outra do gênero (consignada pela Tradição Hermética das Idades), o neófito/aprendiz em dado momento se vê confrontado em sua "câmara de reflexão" face à expressão V.I.T.R.I.O.L. e freqüentemente não têm a menor idéia do que se trata.
A Pedra Filosofal dos antigos alquimistas leva ao entendimento de que a palavra em si não é outra coisa senão a profunda descoberta de si mesmo, na solidão, no seio da Terra, ou, doutro modo, é o símbolo universal da constante busca do homem para melhorar a si mesmo e à Sociedade em geral.
Efetivamente a palavra VITRIOL, que se escreve com 7 letras, é a frase mais misteriosa e secreta que se conhece, a verdadeira Palavra-Passe ou o "Ábre-te Sésamo" para o Mundo Oculto dos Deuses ou dos Homens Semi-Deuses, e cujo sentido real e profundo até hoje não foi decifrado senão por aqueles que têm o direito a adentrar o mais sublime de todos os Tabernáculos localizado no interior da Terra.
“VISITA INTERIOREM TERRAE RECTIFICANDOQUE INVENIES OCCULTUM LAPIDEM”, ou seja, Visita o Interior da Terra Retificando-te Encontrarás a Pedra Oculta.
A "pedra oculta" é a PEDRA DO SÁBIO que se pode transformar na PEDRA FILOSOFAL, a pérola da Filosofia Divina, e é esta que torna o homem num ser sublime, mais evoluído, justo e perfeito, no trajeto da Vida Universal. Tal é o objetivo do verdadeiro iniciado (Maçom, Templário, Rosacruz ou outro) que busca o conhecimento Sagrado e Divino.
Porém...
«Hoje não conheceis mais a "palavra-passe" egípcia, que era pronunciada à entrada do Templo.
Susbstitui-a, pois, por aquela outra latina, que prova estar em justo e perfeito equilíbrio com o Templo, como o obreiro ou o construtor do Edifício Humano.
Sim, estar JUSTUS ET PERFECTUS. A mão direita e o pé do mesmo lado firmavam na Terra o Compasso e o Esquadro, além do mais para dignificar também o "Quaternáreo Terreno".
Este está representado na Tragédia do Gólgota - nas quatro letras I.N.R.I que não quer dizer apenas IESUS NAZARENUS REX IUDEORUM, enquanto o indeformável Triângulo que figura no Templo Maçônico está no mesmo "Corpo Eucarístico" de Jesus, representado pelas três letras J.H.S. entre os 'dois ladrões' onde foi crucificado, ladeado por “Duas Colunas” vivas, Jakim e Bohaz, cujas iniciais J e B também figuravam nas duas cidades onde o mesmo Jesus nasceu e morreu: Belém e Jerusalém.
São ainda as mesmas iniciais de João Batista (seu Arauto ou Anunciador JOKANAN). Quanto ao termo "João Batista" - hoje com significado mais misterioso do que outrora e relacionado com o Culto de Melkisedeque -, cumpre esclarecer que se acha estreitamente ligado ao Rito ADONHIRAMITA de Adam, Hiram, e Ita, Mita ou Mitra». ( In "Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria" de Dr. Victor Manuel Adrião).




Na iniciação, fatos inusitados acontecem vertiginosamente. A venda, a tolher talvez um dos mais preciosos sentidos, que é o da visão, aumenta a tensão.
Os segredos que os irmãos não falam para neófito nenhum, para não tirar deles, mestres maçons o prazer de saborear a reação do iniciando em face de um “obstáculo praticamente intransponível". Este momento tão especial, repleto das mais altas indagações e dos mais altos símbolos maçônicos, deixa aturdido a todo aquele que por ele passa.
Só algum tempo depois, lendo sobre a Ordem, estudando o Ritual e assistindo a uma iniciação é que o iniciado pode começar a compreender o ocorrido durante a sua iniciação. Procurando estabelecer divisões,dissecar os fatos.
Daí surge um símbolo representado pelas iniciais “V.I.T.R.I.O.L”.Qual o seu significado? O que designa?
Com que finalidade se encontra na parede da Câmara de Reflexões?
Inicialmente, verifica-se que ele não é elemento obrigatório, numa Câmara de Reflexões, elementos obrigatórios são, por exemplo: a ampulheta, o esqueleto humano, enxofre, o pão e a água. Mas, embora facultativo, ele se encontra presente na maioria das Câmaras de Reflexões, enquanto que outros objetos, obrigatórios, às vezes ali não estão presentes.






“V.I.T.R.I.O.L” é a abreviatura de uma frase em latim: “Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem”. Ao pé da letra isto significa: “visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”.A profundidade de tal frase salta aos olhos, primeiramente, por que é no interior da terra, ou seja, na Câmara de Reflexões, que o Profano morre para nascer um Maçom.
A Câmara de Reflexões, na realidade, relembra as cavernas das antigas iniciações, inclusive religiosas. Como qualquer iniciação, simboliza a morte material de alguém e o seu ressurgimento num plano mais elevado.
O iniciando permanecia no interior de uma caverna da qual, em dado momento, saía por uma fenda ou orifício, como se estivesse nascendo.
Segundo José Castellani, ainda existem tribos na África que se utilizam desse ritual, quando se considera morta a criança que ali entrou e nascido o homem maduro saído de lá, pronto para a vida.
A Câmara de Reflexões representa, ainda, o útero da mãe terra, de onde os filhos da viúva nascem para uma nova vida.
O conceito atual de masmorra foi introduzido pelos franceses na metade do Século XIX, influenciados pela Revolução Francesa e por um sentimento anti-místico oriundo do iluminismo francês, mas esses fatos não podem desvirtuar a sua origem.
Em segundo lugar, “retificando-te” significa, na verdade o “seguir em linha reta”, ou seja, agir em si mesmo com profundidade.
É nesse momento de solidão, de encontro consigo mesmo, de meditação diante do inusitado, do desconhecido, que o novo homem se retifica interiormente, deixando de lado todos os vícios de uma vida anterior para adotar novos padrões de conduta moral.
E, ao fazer isso, mostra-se para o novo homem a pedra oculta que há dentro de todos.Tal pedra ainda se encontra em estado bruto, necessitando ser trabalhada, lapidada.
O que só acontece com o aprendizado constante, com a prática incessante das boas ações, com o respeito às normas, com a presença constante em Loja, com a aplicação dos princípios fundamentais da Maçonaria, como a fraternidade e a humildade!


De nada adianta descobrir que em seu interior há uma pedra bruta, se essa pedra não é tocada, não tem a sua rusticidade conhecida, se nada se faz para seu polimento.
Esse polimento é pesado, o desbaste das arestas, dos excessos, é doloroso, mas necessário, para fazer crescer aquele que encontrou dentro de si o que o diferencia dos demais animais: A pedra oculta, isto é, a inteligência, a capacidade de raciocinar, de discernir entre o certo e o errado, de dominar o desejo pessoal, de vencer paixões e submeter vontades .




A menção à pedra oculta, ainda, significa atingir o mais profundo do EGO do iniciando, e é usada como originária da força dos alquimistas, que acreditavam na PEDRA FILOSOFAL, ou seja, aquela pedra que transformava os metais inferiores em ouro.
Esse processo de transmutação, visto pela alquimia prática como “pedra filosofal”, é também conhecido como Obra do Sol, ou Crisopéia, ou Arte Real.


No entanto, para a alquimia oculta, todavia, a frase é um convite ao conhecimento do ser interior, da espiritualidade, já que a Obra do Sol é a transmutação do quaternário humano, inferior, no ternário divino, superior ao homem. A PEDRA OCULTA é a PEDRA DO SÁBIO, que pode se transformar na PEDRA FILOSOFAL, ou seja, dentro de cada homem há uma PEDRA OCULTA, conhecida também como PEDRA DO SÁBIO, que o diferencia do animal irracional e que qualifica o ser humano como tal.


Trabalhada a PEDRA DO SÁBIO tem-se a PEDRA FILOSOFAL, ou a PEDRA POLIDA, surgida com a transformação do bruto Profano, em um novo homem, um Maçom.
Encontrada a pedra oculta, ou a PEDRA DO SÁBIO, mas esquecendo-se de que o trabalho com essa pedra bruta deve ser constante, o homem não avança, não cresce espiritualmente e a pedra permanece bruta, não mostrando a sua beleza interior, permanecendo carregada de impureza que a obscurece e a torna imprestável para o uso a que se destina.

O Maçom que mantém a sua pedra oculta com traços de impureza, causados por ações ou omissões denominadas vícios, não pode ser chamado de Maçom
Daí, pode-se afirmar sem temor que o trabalho do Maçom na pedra bruta deve ser diário, incessante, devendo ele com constância, visitar o interior da terra, retificando-se, na busca da pedra oculta.
E seguir trabalhando-a na busca da evolução contínua e infinita!


Por fim, a palavra VITRIOL não só simboliza a constante busca do homem para melhorar a si mesmo, polindo a “pedra bruta” da personalidade humana (o seu ego-inferior) para que um dia brilhe a sua Individualidade (o Eu Superior) que surge como um diamante diáfano pela limpeza da alma ou pureza em seu coração (chakra cardíaco ou plexo-solar).


A palavra V.I.T.R.I.O.L. vai além do trabalho do homem sobre si mesmo, e significa também um Lugar Oculto no Interior da Terra, que é conhecido há milhares de anos pelos Lamas Tibetanos e Mestres Hindus ou Brahmanes como o Reino de Agharta (AG - Fogo; HARTA - Coração = Coração de Fogo), onde vive uma Civilização avançada em milhares de anos, sob um Sol Central que ilumina Shamballah, a "Shangri-lá, a Morada Eterna do Rei do Mundo, onde vivem os Santos e Sábios Homens que de tempos a tempos surgem na superfície para instruir a Humanidade.
“E muito mais teria para vos dizer mas não estais preparados para suportá-lo agora..."
dizia o Grande Mestre de Amor/Sabedoria que por sinal nasceu numa gruta e foi visitado por três “Reis Magos” vindos dos lados do Oriente, não se sabe de onde, que o saudaram como um grande Rei, a quem veneraram oferecendo ouro, incenso e mirra, com todo o significado simbólico que contém.
Fica aqui mais esta dissertação.
Pausa para reflexão!



Referências:
Dr. Victor Manuel Adrião,"Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria
Francis Bacon, Nova Atlântida
Helena P. Blavatsky: Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta,
Thomas Moore, Utopia
Tommaso Campanella, A Cidade do Sol
Júlio Verne, Viagem ao Centro da Terra
Bulwer Lytton, “A Raça futura”
James Hilton, Horizonte Perdido











domingo, 5 de julho de 2009

Conclusão


O buscador reflete através de seus pensamentos, palavras e sentimentos, atitudes que revelam a sua relação consigo mesmo.

Tais relações apontam para a Jornada Mística ou Alquimia Interior que foram registradas pelos alquimistas através das suas pranchas e de seus escritos alquímicos.


É bem verdade que a prática alquímica continha um caminho prático e uma filosofia, tornando muitas vezes obscura a sua interpretação, e em função disto, estas concepções traduziam muito mais a percepção e a experiência de um alquimista ou um grupo de alquimistas, do que uma escola de pensamento alquímico.


O estudante contemporâneo das práticas alquímicas deve ter o cuidado ao olhar tais princípios, compreendendo que a alquimia traduzia também uma concepção especulativa de viver, além de uma prática manipulativa de elementos e uma forma operativa de processos.

Ciente disto, é possível que o estudante alquímico se transforme em um verdadeiro buscador e não um Soprador seduzido pelo "ouro dos tolos".

A Pedra Filosofal e A Iluminação



Foi assim que יחאזח encontrou Lúcifer (o portador da Luz) e Satanás (o adversário), conseguindo emanar de si a personalidade fruto do seu processo pessoal de Alquimia Interior, fazendo-o atingir o seu verdadeiro estado de Ser.


Mas, Jóshua ou Iéschuá (Jesus), não foi o único iluminado a descobrir as propriedades da Alquimia Interior... Se buscarmos referências dos chamados avátares em nosso orbe, veremos que todos eles buscaram a sagrada Alquimia entre a Terra e o Céu que nós somos, ascendendo as velas no Templo Interior da Alma, para que pudesse ocorrer a ascese mística, o estado de plenitude que nos faz vibrar em Harmonia, Amor, Verdade e Justiça.


Cada um utilizou o laboratório que teve em suas mãos... Montanha, deserto, abismos ou mar... O abismo ou mar representando o mergulho profundo em sua própria alma, levando o indivíduo a Iniciação. A montanha representando a necessidade de enxergar além, propiciando ao indivíduo a Elevação. O deserto representando a expansão de domínios, remetendo-nos a Exaltação.


Observa-se que todos eles traziam em si a marca da Pedra Filosofal... Dizem que eles eram capazes de realizar milagres, dizem que conseguiam alterar as propriedades da matéria, dizem que conseguiam ludibriar a morte...


Tudo isto é possível de ser verdade, mas nada disto é significativo quando falamos de Alquimia Interior. O sentido de identificação e a noção de reintegração destas consciências consigo mesmo e com o universo ao seu redor, é que parecia que dava mais sentido a elas de buscarem a sua integração com o Todo, fazendo-as atingirem estados de consciência que propiciavam a noção de Unidade. Isto é o que equivale ao ditame alquímico medieval: "Transmutati in lapis philosophorum".


Jung comentava em seu livro "Psicologia e Alquimia", que a Humanidade tem uma natural propensão aos estados alquímicos que lhe remetem a individuação. O inconsciente coletivo tende a se tornar cada vez mais convidativo a consciência, que nesta dialética permite que extravase nos sonhos, o simbolismo sagrado da sua jornada interior, condensação.


Quanto mais esta dialética se torna clara, mais criativo se torna este indivíduo, dando a sua marca pessoal em suas produções, pois permite extravasar de si o conjunto sintagmático subjetivo que o compõe e o define. Foi exatamente isto que os alquimistas medievais grafaram em seus trabalhos alquímicos como resultado da experimentação desta relação, tanto através da prática quanto da filosofia alquímica, da chamada Senda Mística ou Union Mistique.


A pedra filosofal é o resultado desta busca, fruto do casamento alquímico entre Marte e Vênus, conjunction, que resulta em Mercúrio, sublimatio. Não surge como por encanto, é o resultado de uma busca incessante, gradual, que deve ser orientada por um Mestre e vivenciada por um Aprendiz, mesmo que estes papéis sejam apenas aspectos da própria personalidade, que busca a psicosíntese.


O transeunte da Senda não é um iluminado, muito menos uma Pedra Filosofal, porque na conciliação das diferenças, ele deixa extravasar de si as diferenças, as confusões, os abismos mais profundos, as montanhas mais elevadas e os desertos mais isolados. Não raro nos deparamos com posturas díspares de um suposto iluminado...


O senso comum opta pelo mais fácil, o julgamento, a esteriotipação. O estudante ocultista vê nisto a oportunidade de compreender o seu próprio caminho, retirando através da reflexão o ensinamento necessário para dar o próximo passo em direção a sua verdadeira vontade.


A crítica por si só não é um instrumento valioso para um buscador, porque através dela surge o olhar enviesado pela perspectiva de uma crença, impedindo a verdade, que é pluridimensional de surgir. A verdade não se apresenta como um recorte, ou como uma perspectiva, mas justamente pela integração destas.

Vitriol


Esta dialética entre consciência e inconsciência, foi registrada continuamente pelos alquimistas medievais e se tornava uma linguagem obscura para aqueles que não compreendiam os princípios básicos alquímicos.

O Ser Humano se transformou no sagrado cadinho, contendo os 7 elementos alquímicos, que através das influências cósmicas, experimenta no viver e nas relações propiciadas por ela, as diversas formas de manifestação de seu Ego, transmutando-se na Pedra Filosofal que tudo sublima. Foi a este processo que Basile Valetim batizou de V.I.T.R.I.O.L..


A tradução ocultista do Vitriol é "Visitae Interiore Terrae et Retificando Invenias Ocultum Lapidem", isto é, Visita o Interior da Terra e Retificando-te, Encontrarás a Pedra Filosofal".


A primeira vista tal expressão nos remeteria a um complicado processo alquímico, ou até mesmo a subjacente intenção de Valentim a representar uma substância alquímica... Não podemos descartar este fato!!!

No entanto, nem mesmo a concepção vulgar que atribui uma acepção física ao Templo de Salomão é satisfatória, se não surgir de imediato uma analogia ao processo de integração da consciência do próprio indivíduo.

Vitriol representa o incômodo mergulho nas profundezas do Ego, daquilo que é objetivado nas paixões através do desejo, e que simbolicamente nos remete a concepção mítica dos diabos e demônios que deveriam ficar excluídos no Inferno.


O contato com a "Terra" e a "Retificação do Humano" para "Encontrar a Pedra Filosofal", encerra uma sutiliza alquímica desapercebida pelos curiosos.


Apenas encontramos a Pedra Filosofal, quando compreendemos, aceitamos e encaminhamos a "materialidade" que nos compõem, porque enquanto sujeitos, a auto-imagem que compomos do nosso Ser, é um conjunto do Enxofre (matéria), do Sal (Alma) e do Mercúrio (Espírito), e somente através da alquimia interior é que podemos juntar o partido, transformando a Pedra Filosofal.

A Alquimia Interior


Introdução


Na Idade Média, surgiram escritos ocultistas correlacionados a alquimia, advindos de sociedades secretas que diziam ter conseguido a reprodução da Pedra Filosofal, bem como a confecção do Elixir da Longa Vida.

Tais sociedades, muitas vezes grafavam em pranchas iconoclásticas e em textos simbólicos, os procedimentos descritivos das vias, dos processos e elementos utilizados para atingir a Magnum Opera(A Grande Obra), tentando dar um caminho gnóstico a possíveis buscadores, de forma a isolar os chamados sopradores.

Estes registros se tornaram muitas vezes indescritíveis para o leigo, parecendo até mesmo para sérios estudiosos ocultistas, verdadeiros solilóquios indecifráveis, ou grandes embustes.


A maneira descritiva dos alquimistas medievais revelava um caminho solitário, fruto do desvelamento místico que o buscador opera na medida em que se aproxima do encontro com o Sagrado Anjo Guardião.

Neste encontro, o simbolismo místico interior, flui por sua própria via, desvelando para a consciência objetiva, o trabalho alquímico subjetivo de retorno a fonte de vida universal.


A este processo, Carl Gustave Jung chamou de individuação, termo psicológico que representa a transcendência da consciência para os planos do inconsciente coletivo, identificando-se com os arquétipos originais, que encontram no indivíduo um canal de desvelamento próprio na constituição do chamado Self.

Legado nos nossos Dias


A alquimia medieval acabou fundando, com seus estudos sobre os metais, as bases da química moderna. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico.


Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso "banho-maria", devido a uma alquimista chamada Maria, a Judia. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais, tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear.


A psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia. Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho espiritual.


Mas com certeza a maior influência da alquimia foi nas chamadas ciências ocultas. Não há ramo do ocultismo ocidental que não tenha recebido alguma idéia da alquimia, e que não a referencie.
Acima de tudo, a alquimia deixou uma mensagem poderosa de busca pela perfeição. Em um mundo tomado pelo culto ao dinheiro, à aparência exterior, em que poucos homens buscam a si próprio e ao seu íntimo.


As vozes dos antigos alquimistas aparecem como um chamado para que o homem reencontre seu lado espiritual e superior.