sábado, 5 de junho de 2010

História da Alquimia

A palavra alquimia, AL-Khemy, vem do árabe e quer dizer "a química". Esta ciência começou a se desenvolver por volta do século III a. C. em Alexandria, o centro de convergência da época e de recriação das tradições gregas, pitagóricas, platônicas, estóica, egípcias e orientais. A alquimia deve sua existência à mistura de três correntes: a filosofia grega, o misticismo oriental e a tecnologia egípcia. Obteve grande êxito na metalurgia, na produção de papiros e na aparelhagem de laboratório, mas não conseguiu seu principal objetivo: a Pedra Filosofal.


A alquimia sempre se associou aos elementos da natureza.

Os preceitos e axiomas alquímicos encontram-se condenados na misteriosa “ Tábua Esmeraldina”(a esmeralda era considerada como a pedra preciosa mais formosa e mais cheia de simbolismo: a flor do céu), um dos quarenta e dois livros da doutrina hermética atribuídos a Hermes Trimegisto.

Hermes "Trismegisto" (isto é, três vezes grande) é identificado como sendo o deus egípcio Toth, que é uma representação do poder intelectual. Referências a ele já existiam nos tempos do filósofo Platão, por volta do ano 400 a. C.. Diz a lenda que os preceitos de Hermes foram gravados em uma esmeralda, o que deu origem ao nome "Tábua de Esmeralda". Os preceitos e ensinamentos de Hermes pautaram o trabalho dos alquimistas, que em suas obras faziam referências à Tábua de Esmeralda pelo seu nome latinizado, Tábula Smaragdia. São preceitos metafísicos bastante avançados e complexos, de forma que só eram compreendidos pelos iniciados. Do nome de Hermes derivou o termo "hermético" e o "hermetismo", que significam "aquilo que é fechado, restrito". Algo que é hermeticamente fechado significa inacessível. Ensinamentos herméticos são restritos aos iniciados e pessoas comprometidas com determinada área do ocultismo.

Figura de Hermes Trimegisto

Os sábios que dedicaram sua vida inteira à pesquisa alquímica pretendiam transformar os materiais opacos em metais brilhantes e nobres. Em suas recolhas de laboratórios realizavam valiosas pesquisas e idealizaram uma linguagem cheia de símbolos indecifráveis para, deste modo, burlar a vigilância a que estavam submetidos por parte daqueles regulamentos sociais, que em todos os tempos tem considerado como tarefa prioritária a perseguição, ou desqualificação daqueles que se atrevem a discordar e não compartilhar dos convencionalismos. Os grandes personagens do pensamento hermético e esotérico anotavam sua investigações em códigos e as chaves decifradoras só eram conhecidas pelos iniciados. Com isso muitos alquimistas se separavam da sociedade, formando seitas secretas e seu engajamento era feito através de juramentos:

“Eu te faço jurar pelos céus, pela terra, pela luz e pela trevas; Eu te faço jurar pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água; Eu te faço jurar pelo mais alto dos céus, pelas profundezas da terra e pelo abismo do tártaro; Eu te faço jurar por Mercúrio e por Anubis, pelo rugido do dragão Kerkorubos e pelo latido do cão de três tetas, Cérbero, guardião do inferno; Eu te conjuro pelas três Parcas, pelas três fúrias e pela espada a não revelar a pessoa alguma nossas teorias e técnicas”.


A mística sempre foi uma das ferramentas dos estudos alquímicos.

Devido às suas origens, a alquimia apresentou um caráter místico, pois absorveu as ciências ocultas da Mesopotâmia, Pérsia, Caldéia, Egito e Síria. A arte hermética da alquimia já nasceu em lenda e mistério. Os alquimistas usavam fórmulas e recitações mágicas destinadas a invocar deuses e demônios favoráveis as operações químicas. Por isso muitos eram acusados de pacto com o demônio, presos, excomungados e queimados vivos pela Inquisição da Igreja Católica. Por questão de sobrevivência, os manuscritos alquímicos foram elaborados em formas de poemas alegóricos, incompreensíveis aos não iniciados. Mais de dois mil anos antes do início da nossa era, os babilônios e os egípcios, procuravam obter ouro artificialmente, e já se interessavam pela transformação dos metais em ouro. Nessa época, a prática da alquimia era realizada sob o mais absoluto dos segredos, pois era considerada uma ciência oculta. Sob a influência das ciências advindas do Oriente Médio, os alquimistas passaram a atribuir propriedades sobrenaturais às plantas, letras, pedras, figuras geométricas e os números eram usados como amuletos, como o 3, o 4 e o 7.

Em função das condenações proclamadas pela Igreja Católica aos alquimistas, durante a Idade Média, o cheiro de enxofre passou a ser associado ao diabo. Os alquimistas faziam suas experiências com enxofre comum, sendo denunciados pelos fortes cheiros emanados de suas casas ou laboratórios, o que permitia que fossem facilmente detectados e acusados de bruxaria e pacto com o demônio, pondo fim aos seus trabalhos. É também digno de registro a criação de Drácula, o vampiro, acusado de obter longevidade às custas do sangue humano. Seu surgimento não passou de uma bem sucedida tentativa para desmoralizar uma ordem mística alquimista, surgida na Idade Média, que trabalhava na obtenção do elixir da longevidade. Importante também, é enumerar as muitas descobertas feitas por alquimistas em seus laboratórios, nas suas tentativas para atingir a Pedra Filosofal: Água-régia(mistura de ácido nítrico e clorídrico), arsênico, nitrato de prata (que produz ulcerações no tecido animal), acetato de chumbo, bicarbonato de potássio, ácidos sulfúrico, clorídrico, canfórico, benzóico e nítrico, sulfato de sódio e de amônia, fósforo, a potassa cáustica (hidróxido de potássio, que permitia a fabricação de sabões), entre muitas outras coisas que possibilitaram a evolução da humanidade. O sucesso da alquimia na Europa se deve aos árabes, que introduziram idéias místicas acompanhadas por avanços práticos no procedimento químico como a destilação e a descoberta de novos metais e componentes.

À baixo e à direita, temos um quadro de Henri Khunrath que mostra um laboratório oratório. Nos frascos que se alinham sobre a bancada da chaminé se guardam certas substâncias alquímicas. Reparem também no alquimista que, de joelhos diante da tenda-oratória, implora a graça divina para o consumação do feito. A palavra Laboratório tem a seguinte origem: Labor = trabalho; Oratório = local de orações.



A partir das obscuras etimologias, através de uma leitura intrincada, enigmática e carregada de símbolos dos escritos alquimistas, o que pode-se ter claramente é que as finalidades que perseguia a alquimia resume-se em três fundamentos:

Transformar os metais chamados inferiores (principalmente o mercúrio e o chumbo) em ouro e prata, metais tidos como superiores;
Preparar uma panacéia que cure as enfermidades humanas, conserve e devolva a juventude e prolongue a vida - a Medicina Universal ou o Elixir da Longa Vida;
Conseguir a transformação espiritual do alquimista, de homem caído em criatura perfeita.
As Culturas Alquímicas
A Alquimia Árabe
A Europa entrou em contato com a alquimia através das invasões árabes na península ibérica. Os árabes fundaram universidades e ricas bibliotecas (que entre os séculos VIII e XIII emitiram as bases teóricas da alquimia), as quais foram destruídas nas Cruzadas. A química árabe aperfeiçoou as artes de destilação e de extração por gorduras, a fabricação de sabão, as ligas metálicas e a medicina farmacêutica.

Os primeiros textos traduzidos do grego para o árabe foram os textos de alquimia, dizia o sábio Ibn Al Nadim, no século X. Al Nazi é o primeiro alquimista cuja obra e vida foram descritas por outros autores credíveis.

Dispositivos novos ou aperfeiçoados são introduzidos: o “banho-maria” (banhos de ar quente), os cadinhos perfurados permitindo a separação por fusão, as diferentes retortas de destilação, de sublimação. A classificação das substâncias é variável de um autor para outro. Exemplos:

Ouro é nobre, pois resiste ao fogo, à umidade e ao enterramento sob a terra;
Cânfora, enxofre, arsênico, mercúrio e amoníaco fazem parte dos espíritos, pois são voláteis;
O vidro se enquadra nos metais, pois é susceptível de fusão.
As operações alquímicas eram longas, duravam horas e até dias, mas tratava-se de reproduzir no laboratório, na “matriz artificial” que constitui um alambique bem fechado, um processo que, na natureza, se mede em séculos.

A Alquimia Cristã

No mundo islâmico, os alquimistas eram alvos de gracejos já que os escritos alquímicos eram cheios de símbolos e era impossível saber se um autor compreendia o que ele escrevia. Quando os textos foram traduzidos em latim, por volta do século XII, os sábios cristãos estavam divididos entre o nobre desejo de melhor combater o inimigo infiel e a curiosidade devoradora pelos saberes.

A alquimia cristã, como a alquimia árabe, toma questão de avaliação. Saber quem era alquimista medieval, era a primeira dificuldade presente na alquimia cristã devido a sua situação anônima.

Enquanto os árabes possuíam apenas ácidos fracos e soluções de sais corrosivos, os alquimistas europeus aprenderam a preparar e condensar ácidos forte, no século XVI. Primeiro o ácido nítrico, depois o ácido clorídrico, em seguida o ácido sulfúrico até chegar a água régia que dissolve até o ouro.

A Alquimia Chinesa

Para os alquimistas chineses, o principal objetivo era atingir a imortalidade. Para eles, a não reatividade do ouro era inalterável e, por isso, imortal. Tentavam manufaturar o ouro e esperava-se que, dessa forma, poderia ser preparada uma “pílula da imortalidade”. Acreditava-se também que, ingerindo os alimentos em pratos feitos com esse ouro, seria possível alcançar a tão sonhada longevidade.

Os alquimistas chineses criaram elixires à base de enxofre, arsênico, mercúrio, e não obtiveram sucesso em sua busca. Joseph Needham fez uma lista de imperadores cuja morte se pode pensar ter sido causada pelo envenenamento causado pelo consumo desses elixires. Dessa forma, a alquimia chinesa foi perdendo força e acabando desaparecendo com a ascensão do Budismo.

Para saber mais:
ARRUDA, M. L. & PIRES, M. H., Filosofando, São Paulo, Moderna, 1988.
ALLORGE, Henry. Le secret de Nicolas Flamel. Paris, 1929.
ARES, José Manuel. Re-criações Hermeticas. Ensaios Diversos sob o signo de Hermes. Lisboa, Hugin,1996.
EBERLY, John. Al-Kimiai: The Mystical Islamic Essence of The Sacred Art of Alchemy. Aramneses Press, 1995.
JACOBI, Jolande. Paracelsus . Selected Writings. Princeton, 1979.
TRIMBLE, Russell, The Encyclopedia of the Paranormal, Nova York, Prometheus Books, 1996.

Revista Eletrônica de Ciências - Número 25 - Abril de 2004.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os Mistérios de Baphomet Parte I


"A esfinge grega tem cabeça e seios de mulher,
asas de pássaro e corpo e pés de leão.
Outros lhe atribuem corpo de cachorro e cauda de serpente.
Conta-se que devastava o país de Tebas, propondo enigmas aos homens
e devorando os que não sabiam resolvê-los".

(Jorge Luis Borges, O Livro dos Seres Imaginários)


Uma das imagens de mais forte presença no universo ocultista de nossa época, por vezes erroneamente interpretada como uma rebuscada representação do diabo católico, recebe o nome de Baphomet.

Todavia, apesar de muito ter sido especulado sobre o lendário ídolo dos Templários, pouca informação confiável existe a respeito desta enigmática figura.


Daí vêm as inevitáveis questões: o que de fato esta imagem significa e qual a sua origem?

Além disso, o que ela hoje representa dentro das Ciências Arcanas?

Há algum culto atualmente celebrado cujos fundamentos estejam calcados neste Mistério?


Este pequeno exame sobre os Mistérios de Baphomet tem como principal objetivo fornecer algumas orientações iniciais ao tema, permitindo assim que cada Estudante possa encontrar subsídios para ir, aos poucos, formando sua própria opinião, de modo a melhor poder avaliar o que normalmente é encontrado ou divulgado nos círculos iniciáticos atuais.


Em relação a seus aspectos históricos, mesmo não sendo possível estabelecer com precisão uma inequívoca e incontestável ascendência do termo, é sabido que talvez a origem do que veio a se tornar um mito esteja enraizada no princípio do século XIV da Era Cristã.


Em 1307 uma série de acusações daria início a cruel perseguição imposta pelo Papa Clemente V (Arcebispo de Bordéus, Beltrão de Got) e pelo Rei de França Felipe IV, mais conhecido como Felipe o Belo, contra a Ordem dos Cavaleiros do Templo, também chamada de Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo, ou, simplesmente, Templários.


O processo inquisitorial movido contra os Templários foi encerrado em 12 de setembro de 1314, quando da execução do Grão Mestre da Ordem do Templo, Jacques de Molay, juntamente com outros dois nobres Cavaleiros, todos queimados pelas chamas da Inquisição.


No longo rol de acusações estavam: a negação de Cristo, recusa de sacramentos, quebra de sigilo dos Capítulos e enriquecimento, apostasia, além de práticas obscenas e sodomia.

O conjunto das acusações montaria um quadro claro do que foi denominado de desvirtuação dos princípios do cristianismo, os quais teriam sido substituídos por uma heterodoxia doutrinária de procedência oriental, sobremodo islâmica.


No entanto, dentre as inúmeras acusações movidas contra os Templários, uma ganharia especial notoriedade, pois indicava adoração a um tipo de ídolo, algo diabólico, entendido como um símbolo místico utilizado pelos acusados em seus supostos nefastos rituais.


Na época das acusações, costumava-se dizer que em cerimônias secretas, os Templários veneravam um desconhecido demônio, que aparecia sob a forma de um gato, um crânio ou uma cabeça com três rostos.


Todavia, examinando a acusação movida por Clemente V, encontraremos originalmente o seguinte:

"item quod ipsi per singulas provincias habeant idola; videlicet capita quorum aliqua habebant tres facies, et alia unum; et aliqua cranuim humanum habebant".


Na acusação, embora seja feita menção a adoração de uma “cabeça”, um “crânio”, ou de um “ídolo com três faces”, nada é mencionado, especificamente, sobre a denominação Baphomet.

Os Mistérios de Baphomet Parte II



De onde, então, teria surgido o termo?
Não se sabe com precisão onde surgiu o termo Baphomet. Uma das possíveis origens, entretanto, é atribuída a pesquisa do arqueólogo austríaco Barão Joseph Von Hammer-Pürgstall, um não simpatizante do ideal Templário, que em 1816 escrevera um tratado sobre os alegados mistérios dos Templários e de Baphomet, sugerindo que a expressão proviria da união de dois vocábulos gregos, Baphe e Metis, significando “Batismo de Sabedoria”.


A partir desta conjectura, Von Hammer especula a respeito da possibilidade da existência de Rituais de Iniciação, onde haveria a admissão, seja aos mistérios seja aos segredos cultuados pela Ordem do Templo.
Dada a aversão de Von Hammer em relação aos Templários, os estudiosos do tema aceitam com reservas sua tese, embora a mencionem como referência original possível ao termo Baphomet.


A tese de Von Hammer, todavia, ainda que muito criticada por alguns, encontra boa receptividade por parte de outros ocultistas, principalmente entre os teósofos de Madame Blavatsky, dado seu entendimento apontar para a Grécia Antiga como a plausível origem de Baphomet.

Relacionando-o com o deus grego Pã, Blavatsky vê em Baphomet um andrógino, com um enorme aparato de ensinamentos de ordem hermética e filosófica.


Também da pesquisa de Von Hammer vêm algumas ilustrações, as quais, provavelmente, cerca de quatro décadas mais tarde, serviram de base para Eliphas Levi conceber sua própria ilustração de Baphomet, da qual logo trataremos.

Segundo Von Hammer, de acordo com suas descobertas, os ídolos Templários se tratavam de degenerações de ídolos gnósticos valentinianos, sendo que, de todos eles, o mais imponente formava uma estranha figura de um homem velho e barbudo, de solene aspecto faraônico.


Um traço bem marcante de todas as figuras era a forte presença de caracteres de hermafroditismo ou androginia, traços que, ainda de acordo com a descrição de Von Hammer, endossariam cabalmente as acusações de perversão movidas pelo clero contra os Templários.


Desta descrição aparece outra referência que muito diz sobre o mistério que cerca o nome Baphomet: ela aponta para a imagem de um “homem velho”, o qual seria adorado pelos Templários.


Este “homem velho” possuía as mesmas características de Priapus, aquele criado “antes que tudo existisse”.

Contudo, a mesma imagem, por vezes aparecendo com armas cruzadas sobre o peito, sugere proximidade com o Deus egípcio Osíris, havendo até quem afirme ser Osíris o verdadeiro Baphomet dos Templários.


Seguindo a mesma lógica e pensamento de que o vocábulo Baphomet teria vindo da Grécia Antiga, também existe a hipótese de que sua procedência esteja na conjunção das palavras Baphe e Metros, algo como “Batismo da Mãe”.

Por sua vez, a partir deste raciocínio, surge uma outra proposição poucas vezes mencionada nos estudos sobre Baphomet, a qual aponta ser Baphe e Metros uma corruptela de Behemot, um fantástico ser bíblico de origens hebréias.


Esta teoria é importante, visto Behemot ser citado (e por vezes traduzido) como uma grande fêmea de Hipopótamo que habitava as águas do Rio Nilo, sendo uma das representações da “Grande Mãe”, esposa do Deus Seth.

Na concepção egípcia dos Deuses, a fêmea do Hipopótamo faz uma espécie de contra-parte do Crocodilo (Typhon), da mesma forma pela qual existem os bíblicos Behemot e Leviathan.


De acordo com o pesquisador Raspe, outra definição que ganha importância, principalmente na abordagem dos cultos que atualmente são rendidos a Baphomet, mostra o suposto ídolo dos Templários como uma fórmula oriunda das doutrinas Gnósticas de Basilides.


Neste sentido as palavras anteriormente apresentadas, que originaram o termo Baphomet, seriam Baphe e Metios. Assim, teríamos a expressão “Tintura de Sabedoria”, ou o já apresentado “Batismo de Sabedoria”, como o significado de Baphomet.

Os Mistérios de Baphomet Parte III



Blavatsky ainda relaciona Baphomet com Azazel, o bode expiatório do deserto, de acordo com a Bíblia Cristã, cujo sentido original – segundo a célebre ocultista russa – foi deploravelmente deturpado pelos tradutores das Sagradas Escrituras.


Blavatsky ainda explica que Azazel vem da união das palavras Azaz e El, cujo significado assume a forma de um interessante “Deus da Vitória”.

Não obstante a esta definição, em seus preceitos, Blavatsky vai além, quando equipara Baphomet – O Bode Andrógino de Mendes - ao puro Akasha, a Primeira Matéria da Obra Magna.


Em meio a tantas referências, não podemos deixar de mencionar a curiosa tese que diz ser o vocábulo Baphomet nada mais do que uma simples corruptela francesa para o nome Mahomet.

Tal conjectura, sustentada por Mackey, vem em encontro com a suposição de que os Templários estariam sob influência das doutrinas islâmicas, conseqüência de suas freqüentes incursões no oriente por ocasião das Santas Cruzadas.

No entanto, como bem lembrado por Mackenzie, esta suspeita entraria em franco conflito com a premissa Templária de combate a fé Islâmica.

Há de se ressaltar ainda que a religião islâmica não adota a prática de venerar ídolos, o que representaria uma contradição, considerando que Baphomet fosse de fato um ídolo adorado pelos Templários.


Considerando que a palavra Baphomet possua raízes árabes, especula-se também que ela seja a corruptela de Abufihamat (ou ainda Bufihimat, como pronunciado na Espanha), expressão moura para “Pai do Entendimento” ou “Cabeça do Conhecimento”.

Se nos lembrarmos das acusações movidas contra os Templários, de que eles adoravam uma “Cabeça”, veremos nesta hipótese algo plausível de ser aceito.
Apesar de todas as alusões até aqui feitas, a figura de Baphomet que se tornou mais famosa, servindo de principal referência para os ocultistas atuais, é mesmo aquela cunhada no século XIX pelo Abade Alfonse Louis Constant, mais conhecido pelo nome Eliphas Levi Zahed, ou simplesmente Eliphas Levi.


De acordo com a descrição do Abade, publicada pela primeira vez em 1854, a imagem de Baphomet, o Bode de Mendes ou ainda o Bode do Sabbath, é feita do seguinte modo:

Figura panteística e mágica do absoluto. O facho colocado entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante do ternário; a cabeça de bode, cabeça sintética, que reúne alguns caracteres do cão, do touro e do burro, representa a responsabilidade só da matéria e a expiação, nos corpos, dos pecados corporais.


As mãos são humanas para mostrar a santidade do trabalho; fazem o sinal do esoterismo em cima e em baixo, para recomendar o mistério aos iniciados e mostram dois crescentes lunares, um branco que está em cima, o outro preto que está em baixo, para explicar as relações do bem e do mal, da misericórdia e da justiça.


A parte baixa do corpo está coberta, imagem dos mistérios da geração universal, expressa somente pelo símbolo do caduceu.

O ventre do bode é escamado e deve ser colorido em verde; o semicírculo que está em cima deve ser azul; as pernas, que sobem até o peito devem ser de diversas cores.

O bode tem peito de mulher e, assim só traz da humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, isto é, os sinais redentores.


Na sua fronte e em baixodo facho, vemos o signo do microcosmo ou pentagrama de ponta para cima, símbolo da inteligência humana, que colocado assim, em baixo do facho, faz da chama deste uma imagem da revelação divina. Este panteus deve ter por assento um cubo, e para estrado quer uma bola só, quer uma bola e um escabelo triangular.

Os Mistérios de Baphomet Parte IV


Devido a eficiência de sua ideação, Levi propositalmente faz com que se acredite que exatamente esta forma de Baphomet era a presente na celebração dos Antigos Mistérios.

Apesar de Levi ter conseguido conceber uma arrebatadora e sintética efígie, recheando-a de múltiplos significados, não há como aceitá-la como sendo o “verdadeiro” Baphomet, senão um fruto da fértil imaginação religiosa do Abade.

Indo um pouco além, diríamos até que esta idéia foi, entre outras influências, livremente inspirada pela curiosa representação do Diabo, esculpida alguns anos antes, em 1842 no pórtico da Igreja de Saint-Merri, em Paris.


De qualquer modo, pelo texto de Levi, fica claro que para conceber a “figura exata deste imperador da noite”, para usar as palavras do próprio Abade, ele recebeu forte influência de uma série de informações advindas das mais diversas culturas.

Assim, seja sua fonte os desenhos e ídolos descobertos por Von Hammer, seja o Egito ou a Grécia, ou as culturas hebréia, cristã ou gnóstica e até mesmo de Zoroastro, Levi, de cada uma delas foi extraindo elementos para conceber o seu extraordinário Bode do Sabbath.


Contudo, apesar das variadas fontes alegadas, valerá ao estudante mais atento examinar, com cuidado redobrado, a gravura denominada “ Hermafrodita de Khunrath”, citada como fonte pelo honesto Abade, visto ela guardar notáveis semelhanças com a concepção do Bode de Mendes, de Levi.


A figura emblemática do Bode de Mendes de Eliphas Levi foi uma das primeiras, senão a primeira, que associou o bode ao ídolo Templário.

É muito provável, dada a condição de sacerdote católico do Abade Alfonse Louis Constatnt, que a imagem Bíblica do sacrifício do Bode Expiatório tenha lhe servido de inspiração.

O bode no Egito, entretanto, não possuía um significado religioso grande, exceto por este culto sacrificial, promovido na cidade de Mendes. Daí a denominação escolhida por Levi, o Bode de Mendes.


Porém, é significativo mencionar que o bode, do mesmo modo como atribuído ao carneiro, sempre foi símbolo de fertilidade, de libido e força vital.

Contudo, enquanto o carneiro assume características solares, o bode se relaciona às lunares.

Em outras palavras, é costume relacionar carneiros, ou cordeiros, como símbolos de aspectos considerados “positivos” das divindades, enquanto que aos bodes estariam reservados os “negativos”.


Assim, se naquele convencionou-se associar uma imagem de pureza, vida e santidade, neste são associados luxúria, sacrifício e perversão.

Em ambos os casos, contudo, é importante salientar que tanto o carneiro quanto o bode são claros símbolos de divindades solares, sendo que no primeiro tem-se a exaltação da divindade, enquanto que no segundo a expiação e morte do deus.


Numa variação deste símbolo, o carneiro é substituído por outro bode, passando-se assim a dois bodes utilizados ritualisticamente.

A primeira menção deste culto ocorre no Levítico, exatamente no mencionado Culto do Bode Expiatório.

Nesta ocasião, durante as festividades, o Sacerdote recebia dois bodes e de acordo com o resultado de uma escolha aleatória um deles seria imolado enquanto o outro era posto em liberdade.


Não deixa de ser interessante se lembrarmos do Rito de escolha entre Jesus e Barrabás, onde um foi sacrificado e o outro posto em liberdade.
O mais importante para o momento, entretanto, é lembrar que tais considerações trazem, em si mesmas, um eterno jogo de contrários, apresentados ora na forma de um aspecto luminoso, ora na forma de um feitio sombrio.

O dualismo é a característica mais evidente da gravura de Eliphas Levi.


Nela encontramos propriedades masculinas e femininas, diurnas e noturnas, sugerindo o equilíbrio da criação através do retorno a androginia primordial.

A mística sufi, inclusive, uma herança islâmica supostamente absorvida pelos Templários, menciona que apenas existirá a salvação se for superada a ilusão da dualidade deste mundo de aparências e erros, pelo retorno à unicidade original.


As inscrições SOLVE e COAGULA da imagem de Eliphas Levi são outro claro exemplo do enfoque dualista de seu Baphomet.

Originalmente presentes nos antebraços do “Hermafrodita de Khunrath”, estes dois preceitos misteriosos mostram que o Andrógino domina completamente o mundo elementar, agindo sobre a natureza, de modo inteiramente onipotente.


As inscrições são dois pólos que marcam o clico solar de Vida, composta de Geração, Nascimento e Morte, para depois haver uma nova Geração que dará continuidade ao interminável ciclo da Vida.

A fórmula Solve et Coagula, todavia, não se resume apenas na vida material.


Podemos entender aqui que o espírito pouco evoluído, ou primário, encontrará os meios pelos quais possa ser transformado em espírito evoluído, superior.

A esta propriedade de transformação, ou melhor, ao elemento que permite esta transformação, os Mestres deram o nome de Mercúrio Filosofal, ou Água dos Sábios, a mesma Tintura de Sabedoria, da qual falava o gnóstico Basilides ainda no século II.


A imagem do Baphomet de Eliphas Levi, enfim, é a representação emblemática deste Mercúrio Filosofal ou do Andrógino Primordial.
Também de Eliphas Levi vem outra curiosa explanação sobre a origem do nome Baphomet, que se tornou voga nos dias de hoje.


Segundo o erudito Abade, esta palavra era a forma cifrada de se dizer TemOHPAB, uma espécie de acróstico inverso de Baphomet, que formaria a sentença iniciática Templi Omnium Hominum Pacis ABbas. A explicação do acróstico, contudo, não traz maiores esclarecimentos ao termo Baphomet, senão a já bem conhecida menção a Unidade Primeira.


Seguindo com a teoria que aponta Baphomet como o Hermafrodita, pode ser feito um extraordinário paralelo entre esta efígie e a citação bíblica “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher”.


Mas examinando o texto em latim encontraremos: ad imaginem suam Dei creavit illum, masculum et feminam creavit eo, ou seja “à sua imagem Deus o criou, o criou macho e fêmea“.


Assim, conforme mostram as Sagradas Escrituras, Deus criou um Adão que era, ao mesmo tempo, macho e fêmea, um Andrógino.

Adão, portanto, o primeiro "homem" criado, foi dotado com as duas naturezas do andrógino. Baphomet então surge como um ícone tardio para o homem primordial, Adão.
As alusões sobre a expressão Baphomet, ora apresentadas, são de extrema valia para os estudantes do simbolismo mágico e iniciático.

Não obstante o volume de ponderações feitas já ser considerável, uma nova e recente forma de abordagem destes Mistérios vem ganhando terreno no estudo da Tradição, principalmente nos aspectos relacionados ao que hoje se convencionou chamar de neo-templarismo e neo-gnosticismo.

Os Mistérios de Baphomet Parte V



No século XX, o controvertido ocultista inglês Aleister Crowley, desenvolveu um culto e uma religião que têm como um de seus principais fundamentos exatamente o alegado ídolo templário, segundo sua própria e peculiar concepção de Baphomet.

O entendimento de Crowley por certo lançará mais matéria à reflexão sobre este discutível tema, bem como ajudará a avaliar o modo polêmico de abordagem deste mistério, modo este típico de uma crescente vertente de ocultistas contemporâneos.
Ao longo das obras de Crowley, são fartas as referências a Baphomet, por ele chamado de “Mistério dos Mistérios”, no cânone central de sua religião, cânone este composto na forma de um missal denominado Liber XV – A Missa Gnóstica.

Tal era sua identificação com Baphomet, que este nome foi adotado como um de seus mais importantes pseudônimos, ou Motes Mágicos.
O assunto é tão relevante que nos Rituais de Iniciação da Ordo Templi Orientis, uma das Ordens lideradas por Crowley, praticamente todas as consagrações são feitas em nome de Baphomet, não importando se os consagrados estejam conscientes ou não a respeito do sentido de tal ato e muito menos de suas implicações futuras.

Tamanha é a proeminência do conceito implícito ao termo que no VI Grau da referida Ordem, a título de ilustração, numa clara referência a suas supostas raízes orientais, a palavra Baphomet é declarada como sendo aquela que comporta os Oito Pilares (as oito letras que formam a palavra) que sustentam o Céu dos Céus, a Abóbada do Templo Sagrado dos Mistérios, no qual está o Trono do Rei Salomão.
Ainda em sua Missa Gnóstica, Crowley identifica Baphomet com um símbolo chamado “Leão-Serpente”. O Leão-Serpente, assim como Baphomet, é a representação do andrógino ou hermafrodita.

Mais especificamente, ele é um composto que possui em si mesmo o equilíbrio das forças masculinas e femininas transmutados num só elemento. O Leão-Serpente, na verdade, é uma forma cifrada de mencionar a concepção humana, a união dos princípios masculinos (Leão) com femininos (Serpente), ou do espermatozóide com o óvulo, formando o zigoto.

Há, seguindo com os preceitos de Crowley, diversos modos de mencionar esta dualidade: Sol e Lua, Fogo e Água, Ponto e o Círculo, Baqueta e Taça, Sacerdote e Sacerdotisa, Pênis e Vagina, além de várias outras duplas de eternos polares.
Originalmente, o símbolo representado pelo Leão-Serpente, consta em alguns dos mais antigos documentos gnósticos, os quais remontam a começos do século II d.C. Apresentado sob a forma de uma figura arcôntica com cabeça de leão e corpo de serpente, o Leontocéfalo era a própria imagem do Demiurgo do Mundo, sendo a versão gnóstica para o Jeová mosaico.

Crowley, ao se utilizar deste mesmo simbolismo, pretendia assim resgatar os cultos de um cristianismo hoje considerado primitivo.
Crowley e seus adeptos, entretanto, não se detêm apenas em demonstrar o Mistério de uma forma puramente alegórica.

A “Luz da Gnose”, como é chamada, é celebrada de modo literal. Assim, o ponto máximo da encenação de seu missal consiste na celebração do Supremo Mistério, ou seja, durante a realização das Missas Gnósticas ocorre a comunhão, por parte de todos os partícipes da Cerimônia, das hóstias, também chamadas de Hóstias dos Céus, ou Bolos de Luz, preparadas com sêmen e fluido menstrual.

De acordo com Crowley, Baphomet, sob o nome Leão-Serpente, surge deste composto, da Matéria Primeva, oriunda da Grande Obra, ou seja, do ato sexual entre Sacerdote e Sacerdotisa.

Através dos alegados poderes mágicos dos Operantes do Rito da Grande Obra, a Matéria Primeva é transmutada em “Elixir”, ou Amrita.

A Grande Obra, contudo, através das propriedades mágicas da fórmula de Baphomet, ainda teria a capacidade de transmutar também os Operantes do Rito e não apenas as substâncias que o compõem.
Baphomet, assim como concebido por Crowley, é então o Elixir ou Tintura da Sabedoria, o veículo da Luz da Gnose, a qual compõe o Mistério Místico Maior, também chamado segredo central de sua Ordo Templi Orientis. Crowley também considerava Baphomet como o supremo Mistério Mágico dos Templários, segredo este que estaria concentrado nos graus superiores de sua Ordem. Da mesma forma, ele clamava que este era o mesmo mistério oculto aos graus superiores da Maçonaria.
Crowley e seus discípulos se consideram herdeiros deste conhecimento, o qual, segundo eles, foi transmitido de geração em geração, desde tempos remotos até eles mesmos, seus sucessores, através dos Santos Gnósticos.

Curioso constatar é que, dentre os inúmeros Santos relacionados por Crowley em sua Missa Gnóstica, estejam presentes os nomes Valentin e Basilides, os mesmos gnósticos citados, cujas doutrinas supostamente deram origem ao termo Baphomet. Inclusive, no Credo de sua religião, recitado nesta mesma Cerimônia, há referência oculta a Baphomet ou Leão-Serpente, na forma do mencionado “Batismo de Sabedoria”, ato responsável pelo Milagre da Encarnação (a reprodução humana).
Crowley também usa uma forma particular de grafia para Baphomet, forma esta que segundo o seu relato, lhe fora revelada em visões obtidas durante a realização de determinados trabalhos mágicos.

Assim, esta palavra aparece curiosamente grafada como BAFOMIThR. Com isso, Crowley - externamente - sugere que o termo Baphomet seja para ele equivalente ao que Pedro representou para Cristo, ou seja, analogamente, sobre esta “pedra” fundamental, Baphomet, Crowley edificou a sua Igreja.

Internamente, contudo, em um dos Graus Superiores de sua Ordem, dado ao caráter supostamente Templário, de acordo com a interpretação de Crowley deste tipo de mistério, em seus diários a palavra BAFOMIThR por vezes aparecia para indicar Ritos de Magia Sexual onde havia prática de sodomia.
As concepções de Crowley, entretanto, não param por aí. Ao que tudo indica, tal é a amplitude de valores presentes em seus ensinamentos relacionados a Baphomet, que se tem nítida impressão de que ele valeu-se de todas as atribuições cabíveis a esta imagem, para dali avocar alguma mensagem, apropriada tanto a difusão quanto a justificação de sua religião.
Apesar de muito ter sido dito concernente a questão Baphomet, apenas uma única certeza aparece de modo irrefutável: Os Mistérios de Baphomet ainda seguirão, dando a oportunidade para que cada um de seus Estudantes penetre num rico e fantástico universo de signos, símbolos e enigmas a serem desvelados.
O próprio enigma da Esfinge Egípcia nos desafia e ameaça, prometendo maravilhas conquanto nos indaga sobre sua misteriosa natureza. Talvez o que de melhor tenhamos a fazer neste momento, após tanto considerar sobre esta outra enigmática Esfinge, Baphomet, é seguir o sábio exemplo de um dos maiores Mestres Gnósticos, o próprio Basilides, conhecido como o Mestre do Silêncio, e quedar-nos em sossego.
Abrindo espaço ao Silêncio, damos vez à reflexão. Refletindo, confiamos que a verdadeira Fraternidade, aquela que se reúne na Igreja Invisível do Espírito Santo, continuará sempre a providenciar nosso sustento espiritual, sem os excessos tão comuns a falsa religião, mas com a tranqüilidade da Verdadeira Sabedoria, que garantirá justiça e perfeição para todos os seus Reais Adeptos.


Nota Editorial: Este Artigo foi publicado como matéria de capa da Revista Sexto Sentido nº 45, da Mythos Editora. Para esta versão on-line de "Os Mistérios de Baphomet", foram mantidos o texto original do artigo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A ARCA DA ALIANÇA


TABERNÁCULO e sua Simbologia


TABERNÁCULO significa: morada, habitação ou casa. Conforme Hebreus 8:5, fala-nos de figuras e das sombras das coisas celestiais. Foi dito por Deus a Moisés (Ex. 25:8) que construísse um santuário, sendo-lhe revelado inclusive seu modelo no monte Sinai (Ex. 24:18).

Era um Templo portátil e montavam-no todas as vezes que os hebreus faziam acampamento. Tudo foi feito como o Senhor Deus ordenara a Moisés (Ex. 39 e 40). Seus construtores, Bezaleel e Aoleabe o fizeram em detalhes, minuciosamente - Ex. 31:1-6.

O Tabernáculo seria algo que homem algum jamais teria imaginado. Foi construído para que as verdades fundamentais no Novo Testamento fossem compreendidas. Cada detalhe e objeto falava da obra redentora de Jesus Cristo.


Nota: Para efeito de melhor entendimento, vamos considerar que o CÔVADO (medida usada na época) seja igual a 50cm. Na verdade, um côvado seria a medida que iria do cotovelo à ponta dos dedos de um homem, sendo admitido que valha algo em torno de 43cm ou 45cm ou ainda 50cm.


ÁTRIO ou PÁTIO
A tenda e seus objetos apontam para Cristo. Olhando de longe, vê-se um cercado em forma de retângulo demarcado por uma cortina (50 x 25m) de linho branco (pureza e santidade), com 2,5m de altura, sustentado por 60 firmes colunas, apoiadas em base de cobre (Ex. 27:9 e 12). Por cima da cerca ainda se pode ver o teto da tenda, que está do lado de dentro deste cercado. Não havia exteriormente beleza alguma.


"Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Isaías 53:2-3)".
Dentro desse cercado de linho branco, chamado de Átrio ou Pátio (media 50m de cumprimento por 25m de largura), podia-se ver em sua primeira metade o Altar de Holocausto; mais à frente a Pia de Bronze cheia de água.

Na segunda metade desse Pátio ficava uma espécie de casa que seria exatamente a tenda.

A PORTA

Todas as vezes que era armado, sua única porta (10m x 2,5m) ficava para o nascente. As 12 tribos faziam acampamento ao redor do Tabernáculo, formando grupos de 03 tribos à frente, 03 do lado direito, 03 do lado esquerdo e 03 na retaguarda.


O Tabernáculo ficava sempre no meio do acampamento, indicando que Deus deseja estar no centro do nossas vidas. "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. - João 14:6. "Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria." - Malaq. 4:2.


Uma cortina muito bonita, também chamado de "reposteiro" nas cores púrpura, carmesim, estofo azul e fundo branco, davam as boas vindas para os judeus ao adentrarem no átrio.

Estas cores falam da santidade, realeza, servidão e divindade de Jesus Cristo. Jesus Cristo é a única porta para se chegar a Deus. Disse Jesus em João 10:9: "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo"
Outras referências: Ex. 27:9-19, 38:9-20, Hb 10:19-22, Ef. 2:11-13, Sl. 65-4, 96:8, Lv. 9:1-6, 6:9.



A TENDA

Era o Tabernáculo propriamente dito. Composto de dez cortinas e dez cobertas, sustentadas por uma armação de tábuas de setim (acácia) recobertas de ouro. Eram todas iguais no comprimento e largura.


Montada, a tenda formava um retângulo 15m de comprimento, 5m de largura e 5m de altura. Em sua entrada encontrava-se um novo reposteiro (cortina) com as mesmas cores do reposteiro da entrada do átrio: púrpura, carmesim, azul e branco.


Este, igualmente à porta do átrio, media 10m de comprimento. Esta porta dava acesso ao primeiro compartimento da tenda que se chamava "santo".

Você está na porta da tenda, já passou pelo altar do holocausto, pela pia de bronze com a água, agora está diante de toda a riqueza do tabernáculo.


Observe à sua esquerda e veja o candelabro (candeeiro) todo de ouro e à sua direita a mesa com os pães da propiciação. À frente, próxima à cortina (véu) que dividia o Santo do Santíssimo (Santo dos Santos), podia-se localizar o Altar de Incenso.

Após a Cortina (véu), ficava o Santo dos Santos. O único imobiliário do Santíssimo era a Arca da Aliança e seu Propiciatório (tampa), que estava justamente no santíssimo, cujas medidas formava um cubo perfeito (5x5x5m).


A Nova Jerusalém tem a mesma característica. Compare com Ap. 21:16 - "A cidade era quadrangular; e o seu comprimento era igual à sua largura. E mediu a cidade com a cana e tinha ela doze mil estádios; e o seu cumprimento, largura e altura eram iguais." Observe a seqüência dos mobiliários procurando visualizar tudo de uma só vez, desde o Altar até a Arca.


Não lhe lembra algo muito familiar? Não formaria uma cruz esses objetos? "os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais" - Hebreus 8:5


MATERIAL.

Todo material usado no Tabernáculo constituem símbolos que merecem destaque.
Madeira de lei, chamada de setim ou acácia foi a usada para a construção. A Madeira simboliza a humanidade de Jesus.

Todas as tábuas do tabernáculo e seus móveis eram feitos com essa madeira, exceto a pia (cobre) e o castiçal que era de ouro maciço.

A árvore que dava esta madeira crescia no deserto e faz-nos pensar na humanidade do Senhor Jesus como diz o profeta Isaías: "raiz duma terra seca" (Is 53:2).
Linho O Linho Branco fala-nos da pureza e santidade de Jesus, homem perfeito.

Cobre:

Era usado para revestir as colunas do pátio, suas bases e o altar para holocausto. A pia (ou lavatório) e os cravos (pregos) eram de cobre maciço. Este metal nos fala do juízo e julgamento do pecado.

Prata:

Este metal foi usado para confeccionar os ganchos de sustentação das cortinas e nos capitéis que as ornamentavam e as bases das tábuas. Simboliza o resgate, redenção pelo sangue de Jesus.

Ouro:

Metal mais precioso empregado no Tabernáculo. Foi usado para recobrir a mesa dos pães, o altar do incenso, a Arca, e as cinco colunas que sustentavam o cortinado da entrada. De ouro maciço era o Candelabro, o Propiciatório (tampa da arca) e os dois querubins. Simboliza a glória de Deus, sua realeza e divindade de Cristo.


AS CORES:

Nos dois reposteiros (cortinas) do átrio e da tenda, aparecem as mesmas cores: púrpura, carmesim, branco e azul. Todas essas cores apontam para Jesus e são descritas nos quatro evangelhos.

Púrpura:

Cor da realeza. O evangelho de Mateus cita Jesus como o "Filho de Davi", enfatizando que Jesus é o nosso Rei. Todo soberano deve provar sua descendência real, e isto é feito em sua genealogia.

Carmesim:

Cor de sangue e aponta para Jesus como "servo sofredor". Marcos destaca esta condição em seu evangelho. Aqui não há genealogia, o destaque é para o "servo".

Branco:

Lembra a pureza e a santidade de Cristo, salientado por Lucas. Este é o evangelho do Filho do Homem. Jesus é mostrado como o "homem perfeito", e seu caráter justo.
Apresenta a genealogia do homem ilustre e nobre.

Azul:

Aponta para o Céu, de onde veio e para onde retornou o Senhor Jesus Cristo.Simboliza sua "divindade" e está presente no livro de João. A genealogia não é apresentada, pois Deus não tem ascendência. Ele existe para sempre.

O MOBILIÁRIO
Ao todo eram seis peças muito valiosas e belas. Tudo foi feito em detalhes, conforme Deus havia determinado. No átrio existiam duas peças: o altar de holocausto e a pia (lavatório).
Lá dentro da tenda, no "santo", podia se ver o candelabro, a mesa dos pães e o altar de incenso. No "santíssimo" existia um único móvel: a Arca da Aliança com seu propiciatório (tampa).

Os móveis do Átrio
O Altar do Holocausto (Êx. 38:1-7)
Símbolo da cruz de Cristo. Era a primeira e maior peça do tabernáculo, medindo 2,5m de comprimento, 2,5m de largura (era quadrado) e 1,5m de altura e ficava logo à entrada da porta.
Foi feito com madeira de setim e recoberto com cobre. Lembra-nos da cruz de Cristo de e juízo de Deus. Nesse altar eram sacrificados os animais que simbolizavam o sacrifício de Cristo.
Observe que o altar do holocausto é a peça que está logo à porta do átrio. Estava ali como sendo a primeira oportunidade para quem quisesse adentrar às profundezas de Deus, no entanto quem assim o fizesse teria que primeiro aceitar o sacrifício. Os animais oferecidos em sacrifício simbolizavam Jesus Cristo mas só aliviavam a culpa. Jesus porém remove todos os pecados através de seu sangue.

Lavatório (Pia) (Êx. 30:18-21)
Após o altar do holocausto e antes da tenda estava a pia de cobre maciço. Servia para que os sacerdotes se lavassem após os trabalhos de sacrifício no altar e antes de entrar no santuário.
Da mesma forma torna-se necessário que sempre estejamos nos lavando nessa "pia"(reformulando nossas ações) para podermos entrar na presença do Senhor.
A pia também é um símbolo de Cristo, pois é através de seu sangue, que nos purificamos de todo o pecado. Jesus também é a água viva que sacia nossa sede (Jo. 13:8). A água que estava contida na pia também representa a Palavra de Deus, que é capaz de santificar-nos e purificar os nossos caminhos (Sl.119:9 e Jo 17:19).
Os Móveis do Lugar Santo
Logo após abrir-se as cortinas da tenda, o sacerdote encontrava à sua esquerda o Candelabro, à sua direita a mesa dos pães da propiciação, e lá à frente, bem junto ao véu que dividia o santo do santíssimo, o altar do incenso.

Candelabro (Êx. 37:17:23)
Também chamado de candeeiro ou castiçal. Totalmente confeccionada em ouro pesando 30 Kg, que com suas sete lâmpadas iluminava todo aquele lugar. Simboliza Cristo como a "luz do mudo" e também nos lembra Cristo como a "videira verdadeira".
O ouro aponta para sua glória e divindade. A luz que emanava do castiçal iluminava a mesa dos pães da propiciação e o altar de incenso, que também simbolizam Cristo. Nesta função de iluminar (fonte de luz), o castiçalsimboliza o Espírito Santo, pois glorifica o Cristo simbolizado na mesa dos pães e no altar de incenso.

A Mesa dos Pães (Êx. 37:10-16)
Confeccionada em madeira de acácia (setim) e revestida de ouro. Estes materiais nos lembram para a dupla natureza de Cristo: humana e divina.
Estavam postos continuamente sobre a mesa 12 pães da propiciação (ou da presença). Simbolizando Jesus, "o Pão Vivo que desceu do Céu".
Media 90cm de comprimento, 45cm de largura e 68 cm de altura.
Os doze pães representam as tribos de Israel. Todos os sábadosos pães eram consagrados e repostos. Indicavam que a consagração do ser humano ao servir o Senhor não pode parar. Os pães que eram retirados podiam ser comidos pelos sacerdotes.


Altar do Incenso (Êx. 30:1-8)
Altar do Incenso ou Altar de Ouro, também construído em madeira de setim e revestido de ouro. Sua função era, como o moem já sugere, queimar incenso ao Senhor,representando nossas orações e louvor.
É um símbolo de Cristo quando mostra que nossa adoração só terá valor perante Deus, se for através de Cristo.
As brasas que ardiam neste altar (símbolo do Espírito Santo) eram trazidas do primeiro altar, lá da entrada do átrio (Altar do holocausto).
Não se podia atear fogo diretamente no altar do incenso.
O Móvel do Santíssimo (Êx. 25:10-22)
No Santíssimo só havia um móvel: a Arca da Aliança, medindo 1,25m de comprimento, 75cm de largura e altura.
Entende-se como apenas uma peça, pois o propiciatório (tampa) era parte integrante da arca.
A arca era uma caixa construída com madeira de acácia, revestida de ouro. Sua tampa, o propiciatório, era totalmente de ouro e estava encimado por dois querubins que tinham suas frontes voltadas para baixo (como se estivessem olhando para o fundo da caixa).
Suas asas estavam abertas e tocavam-se, como que se estivessem dando as mãos. Dentro da arca estava contida as Tábuas da Lei recebidas por Moisés no Monte Sinai, um vaso contendo o maná fornecido aos israelitas no deserto e o cajado de Arão que havia florescido.
Isso representava para aquele povo a presença de Deus, que guiava-os, protegia-os e dava-lhes vitória.
Simbolizava Cristo como o "pão da vida" e nosso Sumo Sacerdote perfeito, que guardou a Lei em seu coração.
Somente o sumo sacerdote podia entrar no Santíssimo uma vez ao ano. Ele levava o sangue do sacrifício para aspergir o Propiciatório.
Esta era a parte final daquele ritual sacerdotal que servia para restaurar a comunhão do homem com Deus. Jesus, o nosso Sumo Sacerdote perfeito, ofereceu-se em completo sacrifício expiatório por nós. Entrou no santuário celestial levando seu próprio sangue.


A COBERTURA DA TENDA (Êx 26)
Era constituída em quatro coberturas distintas como segue: A primeira coberta, que podia ser vista somente de dentro da tenda, era constituída de QUATRO CORES COM DESENHOS DE QUERUBINS. Muito bela, combinava com as paredes revestidas de ouro.
O interior da tenda era lindo! Assim também deve ser nosso interior, tenda do Espírito Santo.
Por cima desta estava a segunda cortina, que era feita de PELOS DE CABRA, também chamada de "a tenda sobre o tabernáculo" (Êx 26:14).
A terceira cortina de baixo para cima era a de PELES DE CARNEIROS TINTAS DE VERMELHO.
Por fim vinha a quarta cobertura, a de PELES DE TEXUGO (animal marinho). Medindo 2,5 Metros de altura, a cerca (de linho branco) impedia a quem estivesse de fora do átrio pudesse ver o que havia do lado de dentro do pátio.
Era algo rústico e sem beleza ou atrativo algum. "Não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Isaías 53:2-3)".
Aline Santos é Jornalista,Terapeuta Holística, Taróloga, Cabalista, Professora, Escritora, Palestrante, e Pesquisadora de Ciências Ocultas, e atende nas áreas de Florais de Bach, Fitoterapia, Aromaterapia, Terapia com cristais, Reiki, Cura Prânica e Tarô Terapêutico.
E-mail:
arcanjo.azul@hotmail.com